Quanto Você Deve Confiar no Beta?

Na Parte 1 de uma série sobre a moderna teoria do portfólio (MPT), analisamos o Beta para determinar o nível de risco relacionado ao índice de um fundo.

Esther Pak 22/04/2020 17:44:00

Pergunta: Após o mercado em baixa, fiquei muito mais sintonizado com o risco dos meus investimentos. Não sendo uma pessoa do mercado financeiro, não tenho certeza de como usar estatísticas como Beta ao selecionar e monitorar meus investimentos. Alguma dica?

Resposta: Os Relatórios de Analistas de fundos mútuos em Morningstar.com apresentam uma aba de Classificações e Riscos, que lista várias medidas quantitativas de risco / retorno. Essas medidas incluem classificações ajustadas ao risco da Morningstar, várias medidas de volatilidade, como desvio padrão, e várias estatísticas da moderna teoria de portfólio (de agora em diante chamaremos pelo acrônimo MPT, como é conhecida em inglês), como Beta, para os períodos de três, cinco, dez, e quinze anos. Cada uma dessas medidas fornece uma visão diferente do risco, da volatilidade, do retorno ou de uma combinação desses fatores.

O MPT está enraizado na afirmação de que não há almoço grátis - você só obterá retornos mais altos se estiver disposto a correr mais riscos. Ao mesmo tempo, a MPT sustenta que a diversificação de um portfólio em vários ativos pode ajudar a diminuir seu nível de risco.

As estatísticas modernas do portfólio, como Alfa e Beta, tentam mostrar como as características de volatilidade e retorno de um investimento se comparam com as de um determinado índice. E a Morningstar fornece quatro estatísticas de MPT para cada fundo nos últimos três, cinco, dez e quinze anos: Beta, R ao quadrado, Alfa e Treynor. Hoje, vamos nos concentrar no Beta.

 

Como Funciona

A compreensão do Beta servirá como base útil para decifrar e usar as outras estatísticas do MPT. O Beta tenta avaliar a sensibilidade de um investimento aos movimentos do mercado. Quando o mercado estiver em alta em um determinado dia, o fundo ganhará ainda mais do que o índice de referência - por exemplo, o S&P 500. E quando o mercado estiver em baixa, o fundo perderá ainda mais do que seu valor de referência. Um Beta mais baixo não apenas indica que um investimento foi menos volátil que o próprio mercado, mas também implica que o fundo assume menos riscos com menor potencial de retorno. Por outro lado, um Beta mais alto implica um investimento de maior risco com maior potencial de retorno.

O ponto de partida para o Beta é medir a volatilidade dos retornos de uma referência além de uma taxa livre de risco - essa é a linha de base. O Beta do benchmark é sempre 1.0. Em seguida, calculamos o Beta do investimento comparando o excesso de retorno do investimento sobre a taxa livre de risco durante um determinado período de tempo com o excesso de retorno do benchmark sobre a taxa livre de risco durante o mesmo período. Portanto, espera-se que um fundo como o Fidelity Focused Stock (FTQGX), com um Beta de três anos de 0,94, ganhe 6% menos, em média, do que o S&P 500 nos mercados de alta e perca, em média, 6% menos em mercados em baixa. Por outro lado, o Fidelity Dividend Growth (FDGFX) tem um Beta de três anos de 1,26, indicando que se espera que ele ganhe, em média, 26% a mais que o S&P 500 nos mercados de alta, e que perca, em média, 26% mais nos mercados em baixa.

 

Como Usá-lo (E Como Não)

Em teoria, o Beta é uma medida quantificável e relativamente direta do risco relativo. Os investidores podem usá-lo, juntamente com outros dados de risco e volatilidade, para ajudar a comparar vários investimentos e determinar como, se é que existe, um investimento específico pode se encaixar no contexto de um portfólio amplamente diversificado.

Ao mesmo tempo, não é uma medida infalível para aplicação prática

Primeiro, os investidores devem ter em mente que, como Beta é um valor relativo, não é apropriado supor que um Beta baixo implique baixa volatilidade ou que um Beta alto implique alta volatilidade. Por exemplo, um fundo pode ter um Beta bastante baixo, mas se a referência usada para calcular esse Beta for ultra-volátil e apresentar posições agressivas, o fundo não exibirá necessariamente baixa volatilidade em sentido absoluto.

Em segundo lugar, embora o Beta seja baseado no comportamento passado de um investimento, ele é usado para determinar como é provável que um fundo se comporte no futuro. No entanto, o desempenho histórico pode não ser confiável na previsão de desempenho futuro ou volatilidade relativa futura.

E, como o Beta é derivado de uma fórmula que leva em consideração apenas retornos e correlações de fundos e benchmarks, a estatística mostra um quadro excessivamente simplista e incompleto. Por exemplo, o Beta não leva em consideração desenvolvimentos macroeconômicos. Além disso, o Beta pressupõe que, no futuro, o potencial de um fundo para riscos de alta e baixa é praticamente igual, mas, na prática, os investimentos raramente exibem perfis de risco / retorno perfeitamente simétricos. O Beta também remove da equação o risco adicional que o comportamento dos investidores pode impor às suas participações.

Finalmente, e mais importante, a utilidade do Beta de um fundo (e, nesse sentido, de outras estatísticas do MPT) depende completamente da relevância de sua referência de mercado. Um fundo pode ter um Beta muito baixo, mas se não estiver intimamente correlacionado com o índice usado para calcular esse Beta, a estatística é quase sem sentido. É por isso que os investidores que usam as estatísticas do MPT devem fazê-lo em conjunto com o R2 do fundo, que mede sua correlação com um determinado parâmetro de referência. Em uma próxima coluna exploraremos o R2 e como usá-lo na criação de um portfólio.

 

A Esther Pak não possui ações em nenhum dos títulos mencionados acima. Descubra as políticas editoriais da Morningstar.

 

Artigo original em https://www.morningstar.com/articles/379641/article

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