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3 Mitos sobre fundos sustentáveis

Fundos sustentáveis performam no mesmo patamar dos fundos tradicionais, custam o mesmo e oferecem diversas escolhas.

Jon Hale 02/10/2019 09:56:00

Pen on old book

Investidores individuais continuam a expressar interesse significante em investimento sustentável, mas frequentemente eles não encontram reciprocidade ao discutir o tópico com seus consultores ou assessores financeiros.

Em uma pesquisa feita de 2017, feita pela Nuveen com com investidores, quatro de cada cinco disseram que les queriam que seus investimentos tivessem um impacto positivo na sociedade. E, em uma pesquisa publicada em Abril pela Allianz Life, dois terços dos millenials e metade da geração X e dos baby boomers disseram estar especificamente interessados em investir algum dinheiro em investimentos que priorizem o meio ambiente, o social e/ou a governança corporativa.

No entanto, quando eles questionam seus assessores, ele frequentemente recebem o que eu chamo de “esquece disso”. É quando o ele balança sua mão (e usualmente é “ele”) e diz “Investimento Sustentável? Esquece, você não quer essa opção.”
Por quê? Quando o investimento é em fundos o intermediário frequentemente acredita nestes três mitos:

O mito da baixa performance

O mito mais persistente sobre investimento sustentável é o de que ele leva a uma baixa performance. A base teórica para este mito é de que, a qualquer momento em que você limita o seu universo de investimentos por uma razão não financeira, você aumenta o tracking error e o risco de uma performance baixa. No contexto de investimento sustentável, este mito se origina da prática de excluir algumas ações baseadas nos produtos que estas companhias fazem. Isto ganhou crédito em uma era em que as exclusões da indústria de tabaco eram comuns, no que eram chamados fundos de investimento socialmente responsáveis, e estes papéis performaram acima do esperado. Existem três grande problemas com este mito de baixa performance:

Primeiro, o tracking error sugere que a performance vai diferir do benchmark, não que vai ficar atrás do benchmark. Jeremy Grantham, da GMO, demonstrou isto ao olhar como os portfolios são afetados por excluir um inteiro setor, comparando o S&P 500 com carteiras que excluíam cada um dos 10 setores do benchmark. Ele descobriu que, de 1989 a 2017, o retorno das carteiras estavam em média 50 pontos distantes uma da outra, com seis terminando acima do índice e quatro abaixo.

Excluindo ações da indústria do tabaco pode ter contribuído para o desempenho inferior nos anos 90 e começo dos 2000, mas ao longo da última década a sua ausência teria contribuído para um desempenho superior. O MSCI World Tobacco Index teve ganhos anualizados de 8.6% nos últimos 10 anos (até Agosto 31), o que fica atrás dos 9.2% (anualizado) do MSCI World Index.

Segundo, exclusões não são o foco primário da maioria dos fundos sustentáveis hoje em dia. Muitos ainda usam algumas exclusões mas, para a maioria, o foco real é em integrar as considerações e critérios de meio ambiente, social e governança no processo de investimento e se engajando com as companhias de seus portfolios, encorajando uma melhor performance no ESG.

Terceiro, o grosso da pesquisa acadêmica sobre a performance real de portfolios sustentáveis mostrou que nenhuma performance sofreu uma penalidade associada a este tipo de investimento e, em último caso, o que foi percebido é que a performance ajustada ao risco tende ao positivo ao invés do negativo, como mostrei aqui.

Morgan Stanley acabou de publicar um estudo sobre a performance, desde 2004, de fundos sustentáveis usando dados da Morningstar. Não foi vista nenhuma diferença nos retornos de fundos sustentáveis e fundos tradicionais sobre este período de tempo e em apenas três anos os retornos foram significamente diferentes. Fundos sustentáveis tiveram uma performance inferior em 2004 e 2010 e (muito) superior em 2017.
Mas quando o Morgan Stanley levou o risco em consideração, o quadro mudou dramaticamente. Fundos sustentáveis demonstraram um desvio negativo (downside deviation) 20% menor, consistente na série temporal. Em 14 dos últimos 15 anos fundos sustentáveis tiveram um desvio negativo significativo menor do que o dos fundos tradicionais.

Todas as estratégias de investimento sustentáveis não são semelhantes. Algumas misturam exclusões com integração do ESG, outras focam apenas no último. Algumas perseguem temas de investimentos especifícos e tentam gerar um tipo de impacto social ou ambiental. Muitas também se envolvem ativamente com companhias, para aumentar a sua pontuação corporativa para as práticas de ESG. Elas também se diferenciam em suas estruturas (ativa/passiva) e estilo de investimento (valor/crescimento). E tem uma extensão vasta de competência do gestor e qualidade do fundo que os investidores precisam levar em conta quando selecionam seus fundos, assim como deve ser feito com os fundos do universo tradicional. Mas não existe um motivo, baseado em generalizações sobre performance, que guiem os investidores para longe dos investimentos sustentáveis.

O mito dos altos custos

Outro tema comum que eu ouço de assessores e analista é o de que fundos sustentáveis tendem a ser caros. Este mito começou ao redor da virada do século, quando muitos fundos fundos sustentáveis eram geridos por gestoras pequenas, que cobravam taxas mais altas. No fim de 2017, eu olhei as taxas de todos fundos americanos sustentáveis abertos, comparados com seus pares. Dentro de cada categoria de fundo, a Morningstar agrupa as despesas, de Baixa para Alta. Eu verifiquei que as taxas dos fundos sustentáveis estão igualmente distribuídas. De fato, 199 share classes foram classificadas como Baixa ou Abaixo Da Média, 117 como Média e 200 como Acima Da Média ou Alta.

Expense ratios of SRI funds relative to peers

As taxas dos fundos sustentáveis listados em bolsa tem caído. Em 2016, os únicos dois ETFs com ESG diversificado tinham um custo 50 pontos-base, mas hoje, praticamente todos dos quase 40 ETFs similares possuem taxas menores. De fato, 13 cobram entre 9 e 20 pontos-base. É difícil de competir com ETFs com índices de market-cap ponderados que possuem taxas mínimas, mas certamente estão na mesma conversa.

Expense ratios of SRI ETFs relative to peers

O mito da baixa diversidade de escolha

Quando se trata de construir uma carteira, a reputação dos fundos sustentáveis é de que não existe uma variedade de escolhas. Mas minhas pesquisas indicam que, datando de Julho/19, existiam 279 fundos abertos e listados em bolsa disponíveis para o investidor americano. Outros 247 fundos recentemente adicionaram um tópico de ESG nos seus prospectos. Ou seja, são mais de 500 escolhas diferentes que formam um universo viável para construir um portfolio de ações e títulos diversificado.

Number of SRI funds

Investidores pode achar fundos sustentáveis em 65 categorias Morningstar, com muitas escolhas viáveis nas principais categorias: U.S. equity, non-U.S. equity, e investment-grade bond.

# of SRI funds by asset class/category

Resumindo, fundos sustentáveis, como um todo, não têm uma performance inferior, eles não são mais caros e existe uma vasta gama de escolhas disponíveis para construir uma carteira sustentável. Entendendo estas afirmações como mitos podem ter um alto impacto em ajudar aqueles interessados em adicionar sustentabilidade em seus investimentos.

Publicado originalmente em https://www.morningstar.com/articles/946453/3-myths-about-sustainable-funds.

 

About Author

Jon Hale  Jon Hale is a consultant with Morningstar Institutional Investment Consulting.