ETF Não é Sinônimo de Índice de Bolsa

Oferta de ETFs está crescendo no Brasil, mas a diversidade de estratégias nem tanto.

Gabriel Fenili 11/02/2020 16:11:00

Não é segredo para ninguém que o interesse global em ETFs (Exchange Traded Funds, ou Fundos Negociados em Bolsa) tem crescido, e muito. Para os novatos neste tema, publicamos um artigo explicando o que são ETFs e como usá-los em sua carteira de investimento.
Podemos apontar algumas razões para este aumento de interesse, dentre elas:

  • Custos – por terem uma gestão usualmente passiva, frequentemente tem custos menores em relação aos fundos mútuos (conhecidos popularmente no Brasil só por "fundos de investimento", geridos, na maioria das vezes, de maneira ativa por gestores profissionais);
  • Liquidez – por serem negociados em Bolsa, contam com maior liquidez média, além de terem o preço divulgado em tempo real.

 

 

Diversidade de Estratégias

Ao analisar o ecossistema de ETFs lá fora, encontramos uma grande diversidade de estratégias. Encontramos tanto titãs com alta correlação com índices "famosos", que possuem patrimônios similares ao PIB de países médios, como o SPDR® S&P 500 ETF Trust (SPY), quanto ETFs exóticos como, por exemplo, o WisdomTree Managed Futures Strategy ETF (WTMF), que investe em commodities, juros e moedas e o Invesco Insider Sentiment ETF (NFO), baseado em tendências de compra, momento e volatilidade de ações.

Já entre os mais curiosos (porém já finados), não podemos deixar de mencionar o Spirited Funds/ETFMG Whiskey and Spirits ETF (WSKY), que seguia o mercado de whisky (que, por ironia, não era muito líquido) e o ProSports Sponsors ETF (FANZ), que investia em empresas que patrocinam alguma das quatro maiores ligas de esportes (NBA, NFL, NHL e MLB) nos Estados Unidos (que não se mostrou muito competitivo).

 

Brasil
E o cenário no Brasil? Aqui o mercado está olhando com interesse cada vez maior para os ETFs. Como podemos ver no gráfico abaixo, desde o final de 2015 este mercado cresceu em 10 vezes o seu patrimônio líquido investido, sendo esta uma tendência que deve permanecer.

Focando na diversidade de produtos, ainda estamos atrás de mercados mais maduros. Tomemos por exemplo as estratégias de renda fixa. Apenas no final de 2018 tivemos a estréia do primeiro ETF de renda fixa, o Mirae Asset Renda Fixa Pré Index ETF (FIXA11) e, desde então, o lançamento de outros cinco produtos, totalizando um volume captado de R$ 5.1 Bilhões desde então (dado de Fevereiro de 2020). Já os de exposição internacional existem apenas dois, ambos indexados ao índice de bolsa norte-americano S&P 500, lançados no longínquo ano de 2014, com patrimônio somado de R$ 1 Bilhão. Podemos perceber um esforço crescente dos provedores em diversificar os produtos indexados disponíveis. No entanto, ainda podemos notar uma baixa diversidade de estratégias locais em renda variável. Dos 15 ETFs listados na Bolsa, apenas um (BBSD11) não segue um índice de mercado criado pela B3. Isto gera oportunidades para outras estratégias de investimento. Tomemos como exemplo o Bradesco Índice Momento FIA, um fundo passivo indexado ao Morningstar®Brazil Target Momentum Index, índice criado pela equipe de Research da Morningstar, que busca identificar papéis que tenham bons scores em indicadores de momento. Mesmo considerando sua taxa de administração de 0.70% ao ano e, lembrando que rentabilidade passada não garante rentabilidade futura, ainda assim o fundo bate os índices utilizados pelos ETFs locais:

O fundo também apresentou uma volatilidade menor em relação a estes índices:

Portanto, cada vez mais oportunidades para diversificação de carteira são (e serão) apresentadas para o investidor brasileiro, o que irá favorecer uma mitigação da exposição ao risco em seu portfolio, além de pressionar os fundos mútuos a reduzirem suas taxas de administração, seguindo o mesmo movimento visto em outros mercados, tendo em vista os ETFs serem, na média, mais baratos.

 

Aviso: a Morningstar, Inc. licencia índices para instituições financeiras como índices de acompanhamento para produtos investíveis, como ETFs, patrocinados pela instituição financeira. A taxa de licença para tal uso é paga pela instituição financeira patrocinadora baseada principalmente nos ativos totais do produto investível. Por favor, clique aqui para uma lista de produtos investíveis que seguem ou já seguiram algum índice da Morningstar. Nem a Morningstar, Inc. nem sua divisão de gestão de investimentos comercializam, vendem ou fazem qualquer tipo de aconselhamento a respeito da conveniência de se investir em qualquer produto que siga um índice da Morningstar.

Gabriel Fenili não possui posições em nenhum dos valores mobiliários mencionados acima. Descubra as políticas editoriais da Morningstar.

Securities Mentioned in Article

Security NamePriceChange (%)Morningstar Rating
Bradesco Índice Momento FIA2,61 BRL-0,67
Invesco Insider Sentiment ETF  
Morningstar Brazil Tgt Mtum GR BRL5.568,87 BRL0,20
SPDR® S&P 500 ETF Trust333,45 USD-0,71
WisdomTree Managed Futures Strategy ETF34,93 USD-0,20

About Author

Gabriel Fenili  é analista sênior de pesquisa de dados na Morningstar.

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